domingo, 4 de dezembro de 2011

O Mundo Precisa de Loucos!




O mundo é feito de rótulos, nomenclaturas, palavras que dão significados a personalidade, palavras que nomeiam as coisas que usamos e que nomeiam o que somos, nós temos significados, significantes, ícones enfim; diariamente nos deparamos com esses símbolos, imagens representativas que tem seus significados próprios. Rotulamos pessoas e coisas a partir da idéia representativa que ela nos fornece, alguns tem sentidos pejorativos, outros apenas por diferenciar-se dos demais recebem uma nomenclatura única, que em certos momentos por diferenciar-se das demais, das que tentam fazer a diferença ou torna-se diferente por seus atos ou até mesmo seu modo de pensar, podem ser chamados de “loucos” “malucos”, que é nomenclatura que tentarei trabalhar por aqui.   Eu lhes pergunto: qual verdadeiro sentido da realidade? Repetição de valores? Uma vida pacata e feliz? Quem dá o verdadeiro sentido a nossa vida a não ser nós? Porque procuramos a felicidade em outros ambientes, em deuses, em coisas, em objetos,ou até mesmo em outras pessoas e esquecemos de procura-la em nós? A loucura deve ser aplicada e vista em muitos momentos, até mesmo nessa eterna busca pelo sentido. Muitos dizem que a felicidade é encontrada a partir do encontro com a sabedoria, outros afirmam que encontrará quando vamos de encontro com um ser divino, eu afirmo que a felicidade verdadeira é quando encontramos a verdadeira loucura, quando encontramos sentido em nós, no mais puro dos sentimentos que é o auto-conhecimento; Erasmo de Rotterdã tentou exemplificar de forma clara como a loucura age e como ela esta em todos os momentos de nossas vidas e ainda afirma como ela é benéfica: “pergunto-vos então: são as coisas raras e preciosas ou as coisas vis e comuns que convém esconder com mais cuidado? Não dizeis nada? Mas, ainda que não queirais responder, há um provérbio grego que responderá por vos. Eis o que ele significa: A moringa é deixada junto à porta. E, para que ninguém seja bastante ímpio para rejeitar essa sentença, sabei que ela é citada por Aristóteles, o grande deus dos teólogos. Há alguém entre vós que seja bastante tolo para deixar o dinheiro e jóias na rua? Em verdade, não creio. Vós os guardais nos lugares mais secretos de vossas casas, nos recantos mais ocultos de vossos cofres, e deixais o lixo a vista de todos. Ora, se escondemos com tanto cuidado as coisas preciosas e deixamos ao arbítrio de casa um as que não tem valia, não é evidente nosso autor quer dizer a loucura é mais preciosa que a sabedoria, pois ele ordena esconder uma e proíbe esconder outra?escutai agora suas próprias palavras: O homem que esconde sua loucura vale mais que o que esconde sua sabedoria”( Rotterdam,2003,p.116) . vemos a loucura como um sentimento puro, simples e direto, pois a partir destes que são julgados loucos , conseguimos grandes proezas.
            Até mesmo o ato de diferenciar entre o sã e o louco faz por si só um ato de seleção, diversas pessoas tentaram a definição e até hoje a tentam a definir; Raul seixas falou : Enquanto você,Se esforça pra ser um sujeito normal e fazer tudo igual...  Eu do meu lado Aprendendo a ser louco maluco total Na loucura real...Controlando A minha maluquez Misturada Com minha lucidez..” (Maluco Beleza – Raul Seixas) porém essa loucura vemos em nossa realidade misturada com nosso dia a dia, pessoas que tentam mudar, tentam fazer a diferença e tem esperança na mudança, essa loucura de forma positiva, loucura nos sentimentos, nos impulsos ou até mesmo na inteligência , aristóteles afirmou que  Nunca existiu uma grande inteligência sem uma veia de loucura, concordo e ainda afirmo que essa colocação de Aristóteles deixa claro que não existe felicidade sem uma veia de loucura, ela nos liberta nos ajuda a viver e suportar uma realidade cruel de pessoas sérias e de certa forma infelizes por não querer saborear deste néctar dos deuses chamado de loucura.


Felipe Correia de Lima - 2º período de história

Um comentário:

  1. Reginaldo Vilela de Lima6 de dezembro de 2011 às 10:54

    Gostei do tema de seu Artigo Felipe, vc traz para discussão uma questão polêmica, poi, será que os "loucos", no sentido que vc expressa são aceitos pela classe dominante? Por certos governos, que administram de acordo com seus interesses??
    Esses louco são na verdade uma ameaça para essa estrutura social na qual vivemos!!!

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