sábado, 3 de dezembro de 2011

Racismo: a "diferença" entre Brancos e Negros

Durante estudos, com a TV ligada, no dia 30 de novembro do corrente ano, assisti uma reportagem que me chamou muito a atenção. O episódio passou-se em São Paulo, tratava-se de um teste sobre preconceito racial, que envolvia dois atores: um negro, outro branco. Eles foram vestidos de forma tão idêntica, que a única diferença entre ambos era a cor. Em momentos diferentes, mas no mesmo ponto estratégico (farol), passaram-se por vendedores de doces. O “Branco”, num espaço de dez minutos vendeu seis doces, foi bem recebido pelos motoristas que abriam os vidros de seus carros e compravam ou simplesmente agradeciam e não queriam doces. Logo em seguida, foi dado ao “Negro” o mesmo espaço de tempo, mesmo esforçando-se muito não vendeu nenhum doce. Os motoristas se afastavam assim que era possível, muitas vezes o ignorando quando os abordava. Terminado a primeira parte do teste, ainda no mesmo farol, o repórter entrou em ação e perguntou aos motoristas como eles agiriam se fossem abordados por um vendedor ambulante “negro” e outro vendedor “branco”. Foram unânimes em afirmar que os tratariam com igualdade. Na segunda parte do teste, com outro figurino, também em momentos diferentes, com o mesmo espaço de tempo, foram deixados defronte um estabelecimento elegante. O “branco” passou despercebido, mas o “Negro” foi abordado pelos seguranças que perguntaram o que ele queria ali. Depois de algum tempo, o repórter os procurou dizendo que estava fazendo uma pesquisa e perguntou o que eles fariam se estivessem parados na frente daquele estabelecimento, duas pessoas, sendo um negro e outro branco. Ambos responderam que não fariam nada nem os abordariam. Na terceira parte do teste, os dois atores passaram-se por compradores de carros. Numa determinada concessionária, o “branco” foi bem recebido pelo vendedor que mostrou o modelo que lhe foi pedido, até permitiu que o comprador entrasse no carro para ver se gostava, sem lhe fazer perguntas. O “negro” quando dirigiu-se à mesma concessionária, foi abordado pelo vendedor que lhe fez várias perguntas, como por exemplo, se tinha dinheiro, onde e com o que trabalhava,  etc. além de não permitir que ele entrasse no carro que gostaria de comprar. Ao ser questionado pelo repórter, o vendedor disse que trataria o negro e o branco da mesma maneira, pois ambos são compradores em potencial.
Essa reportagem retrata algo tão presente e, tão “normal” dentro da sociedade brasileira. Preconceito racial é algo que no discurso da nossa sociedade não existe, porém o que se observa é uma postura totalmente contrária, que se apresenta de forma mascarada, encoberta em atitudes inocentes e casuais que trazem disfarçadas uma forte carga de exclusão racial. A sociedade vive com vendas nos olhos, com uma cegueira a este respeito, sem querer discutir o problema. É preciso que se trate o assunto de frente, pois o racismo está de forma sutil, entranhado nos segmentos fundamentais da sociedade e na cultura brasileira.  
O preconceito racial é uma doença insidiosa moral e social que afeta a todos. É diagnosticada pela catalogação dos seus vários sintomas e manifestações que incluem o medo, a intolerância, a separação, a segregação, a discriminação e o ódio. Apesar de todos estes sintomas de preconceito racial serem manifestados, a única causa subjacente de tal preconceito é a ignorância. . Na medida em que o preconceito racial se manifesta, em que as pessoas são "pré-julgadas" com base nas características superficiais, percebe-se honestamente que todas as pessoas "sofrem" deste mal em vários níveis. Quando um indivíduo não conhece bem o outro, começa a caracterizá-lo, consciente ou inconscientemente, com base no que vê. Novamente, isso é devido à ignorância do verdadeiro caráter da pessoa e da personalidade.
Para combater a doença do preconceito racial é necessário que haja uma conscientização de que somos todos iguais em espécie, não na aparência, mas conviver com as diferenças, por difícil que pareça, nos enriquece como pessoas. Se todos fossemos iguais, seríamos atingidos pelos mesmos problemas, sem perspectivas de resolução, já que todas as ideias e problemas seriam semelhantes bem como todas as formas de ação para solucioná-los.  Nossos esforços devem ser voltados contra discriminações vis, como o racismo, que apenas nos desqualificam como seres humanos.

Universidade de Pernambuco - UPE
Aluno: José Carlos Daniel
2º período de história

Um comentário:

  1. Muito bom seu artigo.É muito comum,porém disfarçado,casos como esses citados por vc.Não adianta pode perguntar a qualquer pessoa se ela tem preconceito que a resposta será imediata:Não.
    Mais todos os dias negros sofrem discriminação racial,e quem faz isso senão a sociedade que diz não ter preconceito?
    Andreia Ramos

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