De acordo com a definição do Dicionário da Língua Portuguesa, transgredir significa: Ir além dos termos ou limites (...). infringir. Deixar de cumprir; postergar: Transgredir a ordem. (MICHAELIS, 2008).
Inseridos em um contexto de um forte teor religioso e moral, jovens membros de igrejas protestantes tradicionais tem constantemente transgredido valores morais de caráter doutrinário causando espanto ante a sociedade, indo assim de encontro com princípios éticos, morais e religiosos concebidos pela mesma.
Participantes de grupos geralmente endógamos, muitos desses jovens apresentam uma aparente formação moral doutrinária e dogmática que no dia-a-dia não corresponde com a prática, em suma contrariam os relatos de suas pregações realizando atitudes proibidas pelo seu grupo como, “ficar”, ter relações sexuais antes do casamento, manter envolvimentos afetivos com indivíduos de outras denominações religiosas, perjurar, mentir, adulterar, entre outras.
Vivendo uma etapa de ”Autonomia”, lei própria, assim denominada pelo filósofo e psicólogo Jean Piaget, esse grupo em questão é causador de uma constante escandalização do corpo do qual é membro (igreja) e do contexto no qual está inserido (os demais componentes da sociedade).
Mas como esses jovens concebem as suas práticas? A sociedade como um grupo observador, o que avalia? Que critério utiliza para seus julgamentos? A igreja perdoa e esquece essas falhas? Ou julga e sentencia o pecador com a sua disciplina doutrinária?
Logo nessa problemática questiona-se para esses jovens: o que são valores morais, éticos ou o que ainda são tabus nessa discussão para esses grupos tão tradicionais. Eles escolheram livremente viver sob esses padrões? O que deve ser rompido? Que representações o restante da sociedade tem desse grupo que tem assumido maiores proporções nos últimos anos? Que pensamentos esses transgressores possuem? São realmente transgressores ou apenas pessoas que procuram uma reafirmação consciente enquanto seres humanos livres?
Segundo, Moscovici (2003, p.35)
Nós pensamos através de uma linguagem; nós organizamos nossos pensamentos, de acordo com um sistema que está condicionado, tanto por nossas representações, como por nossa cultura. Nós vemos apenas o que as convenções subjacentes nos permitem ver e nós permanecemos inconscientes dessas convenções [...] Podemos, através de um esforço, tornar-nos conscientes do aspecto convencional da realidade e então escapar de algumas exigências que ela impõe em nossas percepções e pensamentos.
Sabendo disso nota-se que muitos são os fatores contribuintes para essas transgressões, se faz necessário de imediato uma análise antropológica e sociológica do caso, pois deve-se levar em consideração a relação do indivíduo com o meio, para alguns a rotulação muitas vezes atribuída é um fator determinante afetando a formação biopsicossocial do ser. Logo a nós não compete o juízo de valores mas ecoa-se a questão, diante da transgressão os parâmetros cristãos tem sido observados e tem havido uma coerência entre pregação e prática dianteira, dificilmente teremos certeza nessa resposta mas, se faz necessário uma releitura e reavaliação dos nossos julgamentos e concepções acerca do que é moralidade e como a mesma é transgredida.
Tiago Morais Bezerra
2º Período História
Tiago Morais Bezerra
2º Período História
Tiago, concordo plenamente com a questão levantada, levando em consideração que se sua religião presa por um forte teor religioso os mesmos não devem ir além do limite. Gostei muito do seu artigo... Sabryna Emanuele
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