Saio à rua e me deparo com um mundo completamente globalizado , em que sei o que acontece do outro lado mundo, conheço pessoas que moram no sul do país e mantenho conversas diárias, mas não conheço quase nenhum vizinho. Somos pessoas que para vivermos juntos criamos nossos próprios universos de acordo com nossas preferências e desejos, nos é colocado um leque de opções que escolhemos não só para nos satisfazer, mas para impressionar os que nos cercam, estamos sempre em busca de algo novo, uma roupa ou um sapato que faça despertar no mínimo a inveja nos outros.
Tenho a ideia de ser livre, afinal, faço da minha vida o que quiser e não sou obrigado a trabalhar para outra pessoa ou mesmo agradar os que estão à minha volta, mas caso não trabalhe, passo fome, não vou ter o que vestir e vou ser visto com desprezo pela sociedade, somos classificados de acordo com nossa profissão ou emprego que temos, por exemplo: nas entrevistas que vemos na imprensa, sempre temos abaixo do nome do entrevistado sua profissão – João Ferreira da Silva: agricultor; Silvio Luiz Pereira: empresário; Maria Expedita Côrrea: dona de casa; etc.
É como se o mundo globalizado não me deixasse concordar com as palavras do agricultor e fizesse dar muito valor as do empresário e são essas palavras que seguimos pois é daquele jeito que devemos ser e não simples trabalhadores rurais que têm um trabalho pesado muito desvalorizado. Penso que a culpa não seja completamente da sociedade atual e sim dos que deram inicio a toda humanidade o ser humano sempre teve sede de poder, antes esse poder vinha com terras e escravos e hoje o poder vem para quem tem dinheiro, então quanto mais dinheiro mais poder.
Sou capaz de ajudar os que passam por dificuldades na África do Sul, mas sinto muita dificuldade em ajudar os necessitados da minha cidade. Antes pensava que não poderia viver sem tomar coca-cola ou passar ou passar um dia sem usar celular, mas a vida me fez rever isso, hoje, não posso tomar coca-cola, e passei três semanas sem nem ao menos pegar no celular.
Vejo que as regras impostas pela sociedade podem ser quebradas, o difícil é manter a mesma forma de viver depois de quebrar essas regras, ser diferente e nadar contra a corrente não é visto com bons olhos, mas mesmo assim prefiro comprar a marca mais barata e sem fama, não concordo com o fato do ser humano ser classificado na mídia de acordo com a profissão de cada um, e por fim, gosto do mundo globalizado, basta apenas as pessoas perceberem que todos são iguais e diferentes ao mesmo tempo.
Francisco A. Cândido, aluno do 2º período de História da UPE.
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